sábado, julho 14, 2012

Excesso e escassez


"Abriu os olhos, virou-se sobre o ombro. Ela estava lá. Mas não era ela. Não, não era. Não era a última, nem a penúltima, nem aquela outra que ali estivera. Tampouco seria a próxima. Em sua coleção de corpos e prazeres, perdera a conta de quantas se deitaram com ele. Pela sua cama passaram várias, sob seus lençóis dormiram muitas. E nesse jogo de sedução barata e frívola, ocupava-se em administrar a efemeridade de seus relacionamentos superficiais. Divertia-se com o excesso, com o volume de mulheres das quais extraia prazer. Por outro lado, driblava a escassez de um coração desabitado, desmobiliado, desabilitado para o amor. Mas, gostava dessa vida - orgulhava-se de sua masculinidade e dos gols que marcava contra si mesmo."

Por POUPÉE AMÉLIE™ 

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