sábado, abril 23, 2011

Quero apenas cinco coisas





Quero apenas cinco coisas
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.

Pablo Neruda

quinta-feira, abril 21, 2011

Ainda há reticências...





"Olhando a foto, foi quando eu descobri que tua ausência ainda doía e o tempo que passou não me serviu como remédio. E a minha paciência foi inútil e todo desapego incompetente. Eu me desvencilhei de livros, cartas e bilhetes e me desmemoriei por algum tempo - quis tanto ter você, depois silêncio - mas nessa tarde estranha em que ensaio versos, só vem tua falta à tona… E eu desamarro um pranto que eu sei tão antigo - desculpa essas palavras com cara de choro - ainda há reticências."



Marla de Queiroz

Teu sorriso


Quando vi o sorriso, entristeci e me senti ainda pior por isso. Não era eu o motivo do teu sorriso. 
Senti algo me cortar por dentro. Sim, devia sorrir contigo, mas não. Eu não era aquele sorriso. Não poderia demonstrar um auto-controle que não tenho. Não poderia fingir estar contente. Doía! Doía fundo ver teu sorriso e não ver minha alegria estampada nele.


domingo, abril 03, 2011

Jura Secreta




"Só uma coisa me entristece:
O beijo de amor que não roubei,
a jura secreta que não fiz,
a briga de amor que não causei.
Nada do que posso me alucina
tanto quanto o que não fiz.
Nada que eu quero me suprime
de que por não saber 'Inda não quis.
Só uma palavra me devora,
aquela que meu coração não diz.
Só o que me cega,
o que me faz infeliz
é o brilho do olhar
que não sofri."

Composição : Sueli Costa / Abel Silva

Amor não se pede


Amor não se pede, é uma pena.
É uma pena correr com pulinhos enganados de felicidade e levar uma rasteira. É uma pena ter o coração inchado de amar sozinha, olhos inchados de amar sozinha. Um semblante altista de quem constrói sozinho sonhos. Mas você não pode, não, eu sei que dá vontade, mas não dá pra ligar pro desgraçado e dizer: ei, tô sofrendo aqui, vamos parar com essa estupidez de não me amar e vir logo resolver meu problema? Mas amor, minha querida, não se pede, dá raiva, eu sei. Raiva dele ter tirado o gosto do mousse de chocolate que você amava tanto. Raiva dele fazer você comer cinco mousses de chocolate seguidos pra ver se, em algum momento, o gosto volta. Raiva dele ter tirado as cores bonitas do mundo, a felicidade imensa em ver crianças sorrindo, a graça na bobeira de um cachorro querendo brincar. Ele roubou sua leveza mas, por alguma razão, você está vazia. Mas não dá, nem de brincadeira, pra você ligar pro cara e dizer: ei, a vida é curta pra sofrer, volta, volta, volta. Porque amor, meu amor, não se pede, é triste, eu sei bem. É triste ver o Sol e não vê-lo se irritar porque seus olhos são claros demais, são tristes as manhãs que prometem mais um dia sem ele, são tristes as noites que cumprem a promessa. É triste respirar sem sentir aquele cheiro que invade e você não olha de lado, aquele cheiro que acalma a busca. Aquele cheiro que dá vontade de transar pro resto da vida. É triste amar tanto e tanto amor não ter proveito. Tanto amor querendo fazer alguém feliz. Tanto amor querendo escrever uma história, mas só escrevendo este texto amargurado. É triste saber que falta alguma coisa e saber que não dá pra comprar, substituir, esquecer,implorar. É triste lembrar como eu ria com ele. Mas amor, você sabe, amor não se pede. Amor se declara: sabe de uma coisa? Ele sabe, ele sabe.


Tati Bernardi

Silêncio




Agora, releio as cartas que me foram enviadas. Relembro os momentos, os sorrisos, o cafuné. O beijo que começava na nuca e vinha na direção da minha boca. As nossas brincadeiras, que eram só nossas, tão nossas.
As horas que passávamos deitados na cama e eu me encostava em teu peito e ficava a escutar o coração que batia acelerado. E quando me via em teus olhos, queria me prender ali. Nesses momentos, não dizia nada. Não havia nada a ser dito. Nossos corpos gritavam sedentos, famintos.
Hoje, lágrimas correm pelo rosto mudas. Ainda não há o que se dizer quando tudo acaba...

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