quinta-feira, março 24, 2011

Ele é só um cara...


E quer mesmo saber? É um cara como todos os outros caras. (...) É só um cara e não a sua vida. E não todos os dias da sua história, e não todas as suas lágrimas juntas em um único sábado solitário. Ele não é o destino. É um cara. Existem muitos destinos. Ele é só um cara que mal sabe escolher os próprios perfumes, que mal se importa com a sua existência, é só um cara que não te liga quando você esta mal. É um cara que não tem noção de como você gostaria de estar ao lado dele num final de semana qualquer. Ele não sabe sangrar, não sabe que nome daria a um filho, não pode ficar mais tempo. E como diz a música: "Eu não queria te-lo por um programa e apenas ser mais uma em sua cama..." Ele é só um cara perdido como muitos outros caras que você encontrou, e perdeu. Ele é só um cara. E você já esqueceu outros caras antes... Mas, sempre vem alguém com aquela velha história que diz que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta. A gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto... Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonada por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém.

Priscila Barreto

domingo, março 20, 2011

Poeira no vento




Ao teu lado era poesia. Agora sou prosa, discurso, fadiga. Juntos, erámos melodia. Agora só silêncio, quase sorrisos, pequenas gentilezas. Agora sigo a conversar sozinha, murmurar pelos cantos a reclamar da ventania que te levou de mim. 
E, por fim, nos tornamos apenas poeira no vento...


Aceito


" Uma saudade dos mil anos que passamos, ou das três semanas. A loucura de gostar tanto pra tão pouco ou simplesmente a loucura de tanto acabar assim. Fora tudo o que guardei de você, me restou a consideração que você guardou por mim. Sua ligação depois, quando me encontra. Sua mão estendida. Sua lamentação pela vida como ela é. Sua gentileza disfarçada de vergonha por não gostar mais de mim. A maneira que você tem de pedir perdão por ser mais um cara que parte assim que rouba um coração. Você é o mocinho que se desculpa pelo próprio bandido. Finjo que aceito suas considerações mas é apenas pra ter novamente o segundo. Como o segundo do meu nariz na sua nuca quando consigo, por um segundo, te abraçar sem dor. O segundo do seu nome na tela do meu celular. O segundo da sua voz do outro lado como se fosse possível começar tudo de novo e eu charmosa e você me fazendo rir e tudo o que poderia ser. O segundo em que suspiro e digo alô e sinto o cheiro da sua sala. Então aceito a sua enorme consideração pequena, responsável, curta, cortante. Aceito você de longe. Aceito suas costas indo (...) Aceito sua consideração de carinho no topo da minha cabeça, seu dedilhar de dedos nos meus ombros, seu tchauzinho do bem partindo para algo que não me leva junto e nunca mais levará, seu beijinho profundo de perdão pela falta de profundidade. Aceito apenas porque toda a lama, toda a raiva, todo o nojo e toda a indignação se calam para ver você passar."



Tati Bernardi

sexta-feira, março 18, 2011

Cansada


Voltando pra casa, depois de um cansativo, me peguei chorando. Chorando por tudo o que não vivi, por tudo o que perdi, se é que cheguei a ter.
Relacionamentos confusos. Tenho muitas histórias loucas pra contar e, poucos, ou nenhum sinal de normalidade nos meus amores. Muitas esperas e poucas chegadas. Despedidas, partidas e lágrimas. Sentimentos sendo levados pelo vento, pelo tempo. E o que fica é um peito, cada vez mais sem esperanças de amar e ser amada...

quarta-feira, março 09, 2011

Quase impossível

'Eles se amam, todo mundo sabe mas ninguém acredita. Não conseguem ficar juntos. Simples. Complexo. Quase impossivel. Ele continua vivendo sua vidinha idealizada e ela continua idealizando sua vidinha. Alguns dizem que isso jamais daria certo. Outros dizem que foram feitos um para o outro. Eles preferem não dizer nada. Preferem meias palavras e milhares de coisas não ditas. Ela quer atitudes, ele quer ela. Todas as noites ela pensa nele, e todas as manhãs ele pensa nela. E assim vão vivendo até quando a vontade de estar com o outro for maior do que os outros. Enquanto o mundo vive lá fora, dentro de cada um tem um pedaço do outro. E mesmo sorrindo por ai, cada um sabe a falta que o outro faz. Nunca mais se viram, nunca mais se tocaram e nunca mais serão os mesmos. É fácil porque os dias passam rápidos demais, é dificil porque o sentimento fica, vai ficando e permanece dentro deles.'

Tati Bernardi

O suficiente


Será que é saudade essa coisa que me rasga o peito, esse nó que fica na garganta toda vez que te lembro? Isso que me faz chorar ao pensar tudo o que poderia ter sido? Às vezes penso, me convenço que vai passar, que já passou muito tempo, que é hora de viver, mas toda vez que procuro outra pessoa, só encontro semelhanças contigo e ninguém será como você.
O que devo fazer com a esperança de te ver voltar, porque quando penso que foi embora, por (trágica) coincidência vejo uma foto tua e ela renasce das cinzas. E se isso tudo for mesmo saudade? O que faço pra te esquecer um pouquinho? O suficiente pra eu não ficar te procurando pela cidade, o suficiente pra eu ter sonhos nos quais você não esteja presente, o bastante pra viver sem você...


segunda-feira, março 07, 2011

Afastar-se


"Às vezes é preciso recolher-se. O coração não quer obedecer, mas alguma vez aquieta; a ansiedade tem pés ligeiros, mas alguma vez resolve sentar-se à beira dessas águas. Ficamos sem falar, sem pensar, sem agir. É um começo de sabedoria, e dói. Dói controlar o pensamento, dói abafar o sentimento, além de ser doloroso parece pobre, triste e sem sentido. Amar era tão infinitamente melhor; curtir quem hoje se ausenta era tão imensamente mais rico. Não queremos escutar essa lição da vida, amadurecer parece algo sombrio, definitivo e assustador. Mas às vezes aquietar-se e esperar que o amor do outro nos descubra nesta praia isolada é só o que nos resta. Entramos no casulo fabricado com tanta dificuldade, e ficamos quase sem sonhar. Quem nos vê nos julga alheados, quem já não nos escuta pensa que emudecemos para sempre, e a gente mesmo às vezes desconfia de que nunca mais será capaz de nada claro, alegre, feliz. Mas quem nos amou, se talvez nos amar ainda há de saber que se nossa essência é ambigüidade e mutação, este silencio é tanto uma máscara quanto foram, quem sabe, um dia os seus acenos."

Lya Luft



Lya Luft

domingo, março 06, 2011

Memórias

Não sei se fomos feitos para dar certo, não sei do futuro. Só sei que tudo fica bem quando nossos olhos se cruzam, quando teus braços me envolvem, quando me beija com aquela calma que é só tua, e vai deslizando as mãos sobre meu corpo, como se estivesse a desvendar sonhos e me fazer sonhar. E passo horas te admirando, gravando na memória cada pedacinho de ti, porque do amanhã nada sei...e se não estiver comigo, vai ao menos estar em mim.



@Ladymsr



terça-feira, março 01, 2011

Dar não é fazer amor...

Dar é dar. Fazer amor é lindo, é sublime, encantador, é esplêndido. Mas dar é bom pra cacete. Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca... Te chama de nomes que eu não escreveria... Não te vira com delicadeza... Não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom. Melhor do que dar, só dar por dar. Dar sem querer casar.... Sem querer apresentar pra mãe... Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo. Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral... Te amolece o gingado... Te molha o instinto. Dar porque a vida é estressante e dar relaxa. Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã. Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito. Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar ouvir o futuro. Dar é bom, na hora. Durante um mês. Para os mais desavisados, talvez anos.

Mas dar é dar demais e ficar vazio. Dar é não ganhar. É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro. É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir. É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar: "Que que cê acha amor?". É não ter companhia garantida para viajar. É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia. Dar é não querer dormir encaixadinho... É não ter alguém para ouvir seus dengos...

Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito. Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor. Esse sim é o maior tesão. Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar. Experimente ser amado...


Luiz Fernando Veríssimo


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