domingo, dezembro 25, 2011

Crônica de infidelidade





Estava escuro, todos em volta dançavam. 
Eles se avistam. Sorriem.
Ele a envolve nos braços, ela recua.
Então, ele a toca suavemente nas mãos
e pede uma dança, irresistivelmente.
Dançam juntos, movimentos em sincronia.
Se divertem, bebem, brincam.
Ele a corteja e ela samba com maestria.
Se aproximam cada vez mais.
Em volta, olham com desaprovação.
Ele se despede, está indo embora.
Mas, ela não dança sozinha.
Não sabe dançar sem companhia.
Então, ele retorna e num misto de desejo e fúria, a beija.
Juntos, partem.
Repartem a cama, a volúpia.
Os olhos se fecham, os corpos molhados de suor se unem e encaixam.
A noite termina em ressaca.
Foi uma dança, só mais uma transa.
E quando vai embora, em outro abraço ele vai repousar.

Ladymsr



'Para ele, uma transa típica
O amor em seu formato mínimo
O corpo se expressando clínico
Da triste solidão, a rúbrica'

                                                                                                      Formato mínimo -Skank




segunda-feira, dezembro 19, 2011

Voz da consciência

'My hands they were strong, but my knees were far too weak. To stand in your arms without falling to your feet.' 
Set fire to the rain - Adele

Ele não se importa com você. Nunca telefonou. Não faz o minimo esforço pra te encontrar.
E mesmo assim você ama esse cara.
Ele dá em cima de todas, é um canalha. E, você, cega não enxerga.
Ele marca com você no horário e no local que quer, e ainda sim te dá bolo.
Abandonou no momento em você mais precisava e depois de meses desaparecido, te pediu desculpas.
Ele só quer sexo e você fica se iludindo a cada abraço e carinho que ele te faz.
E toda noite quando vai dormir pensa nele e chora, e sonha.
Acorda, menina! Limpa essas lágrimas do teu rosto. Mostre teu sorriso. O dia está lindo e existem pessoas que te querem feliz.

Assinado,
Voz da Consciência


segunda-feira, novembro 21, 2011

Puro prazer


Somos apenas duas pessoas com uma ligação inevitável.
Atração.
Frio na barriga e encontros com 'sabor-de-quero-mais' na despedida. Beijos que tiram o fôlego e aumentam o desejo. Mãos e mordidas pelo corpo. O encaixe, suor e sussurros no ouvido. Puro prazer.
'Juntos até que o tesão acabe.'




quarta-feira, novembro 16, 2011

Escolha


"Sim, eu escolheria você. Se me dessem um último pedido, eu escolheria você. Se a vida acabasse hoje ou daqui mil anos, eu escolheria você."
Tati Bernardi





terça-feira, novembro 08, 2011

Só dessa vez



E que se torne poesia nossos dias. 
Que a vontade de ficarmos juntos seja maior do que o mundo. Que se tornem cada vez mais frequentes nossos encontros, risonhos e quentes. 
Que nossas manhãs tenham aroma de café e sabor de chocolate. E nossas noites inesquecíveis, enluaradas, com gosto de vinho. 
Que o melhor lugar do mundo seja no teu abraço e a melhor visão, teu sorriso.
E teus melhores versos escritos em cada parte do meu corpo. 
Que comece agora e seja para sempre, só dessa vez.

Amém!













quinta-feira, novembro 03, 2011

Frágil




"Por um instante você pensa que isso é tão triste, que isso pode ser tão miserável e o amor parece ser uma esmola que você pede em troca de um sorriso, por mais falso que isso pareça. Frágil, o barulho da chuva viola o silêncio do pensamento, da lembrança, da doce ignorância em planejar o futuro. Você tem medo, porque você vê que tem tanta lágrima por dentro, escondida, calada, tímida e um dia chuvoso e frio é tão pouco comparado a tudo que você esconde atrás de um rosto discretamente limpo e doce."
Cáh Morandi


quarta-feira, novembro 02, 2011

Mal-me-quer


"Mal-me-quer, pensou com tristeza, vendo a última pétala. Depois lembrou que não tinha pensado em ninguém, e ficou alegre outra vez."

Caio Fernando Abreu



domingo, outubro 30, 2011

Capítulo 1.


"Eu quero eternizar o seu sorriso lindo – mas eu nunca falei dele pra você."
Tati Bernardi

Quero te eternizar na minha memória. E mandar boas coisas mentalmente toda vez que penso em ti.
Quero eternizar teu sorriso, teu jeito e toque. 
E quero conhecer teus gostos, manias e defeitos. Desses detalhes que nos fazem decifrar uma pessoa.
Mande notícias, mensagens, cartas. Me ligue.
Só peço que não se perca de mim. 
Peço que não desapareça dos meus sonhos, apareça em minha realidade.
Peço tua presença, por mais que desconheçamos os próximos capítulos dessa história.
Peço que permaneça colorindo meus dias, mesmo que à distancia.

@Ladymsr


segunda-feira, outubro 17, 2011

O simples é tudo


"Eu carrego comigo uma caixa mágica onde eu guardo meus tesouros mais bonitos. Tudo aquilo que eu aprendi com a vida, tudo o que eu ganhei com o tempo e que vento nenhum leva. (…) O pouco é muito pra mim. O simples é tudo que cabe nos meus dias. Eu vivo de muitas saudades. E quem se arrebenta de tanto existir, vive pra esbanjar sorrisos e flashes de eternidade.”
Caio Fernando Abreu



domingo, outubro 16, 2011

Ele não é só um cara


"Ele te ouve como se te entendesse, fala como quem soubesse o que dizer e não diz nada muitas vezes, porque ele entende os silêncios. Ele existe. Você sabe que seriam bons amigos, bons parceiros, bons inimigos, mas você prefere ser a garota dele.E sabe que serão importantes na história um do outro para sempre, independentemente de tudo que estiver pra acontecer. Porque ele não é só um cara. Você não quer mais só um cara. E ele é tudo que você quer hoje."



Tati Bernardi


É, ele não é só um cara! Ele me faz sonhar. Me faz ter vontade de viver. Desperta o melhor em mim.
Ele me conhece como ninguém, conhece todas minhas expressões e poderia desenhar cada curva do meu corpo. 
Ele não é só um cara, ele é um anjo. É nele que penso toda noite antes de cair no sono.
Ele não é qualquer um. É meu amigo, confidente, meu amor. E tudo o que eu desejo nessa noite é poder abraçá-lo e dizer que seu sorriso por perto me faz falta.



segunda-feira, outubro 10, 2011

Sem começo, sem fim



'Eles não souberam quando começaram ou terminaram, se por algum momento a mágica do “nós” chegou a acontecer, se podia ser amor ter vontade de dividir uma pizza. Talvez ela quisesse somente uma companhia, alguém para chamar de “amor”, um par de meias novas no Natal e passear na pracinha que tem apenas uma árvore. Ele quis um apartamento maior, a estabilidade que pode ser superficialmente alcançada, um salário mais proveitoso. Nunca disseram adeus, nem até mais, nem qualquer outra coisa que desse possibilidade de um fim ou de um próximo encontro; terminavam as conversas com beijos, quando mais frios com abraços. Talvez ele a ame. Talvez ela quisesse saber disso. Por causa da mudez das emoções que sentiam, eles não sabiam que destino davam a si. O bonito deles é a coisa mais simples em suas histórias: de alguma forma silenciosa e cheia de esperança, eles esperavam um pelo outro, embora nenhum pedido tenha sido feito.'

Cáh Morandi

segunda-feira, outubro 03, 2011

Quebra-cabeça


"Não passam as dores, também não passam as alegrias. Tudo o que nos fez feliz ou infeliz serve pra montar o quebra-cabeça da nossa vida, um quebra-cabeça de cem mil peças. Aquela noite que você não conseguiu parar de chorar, aquele dia que você ficou caminhando sem saber para onde ir, aquele beijo cinematográfico que você recebeu, aquela visita surpresa que ela lhe fez, o parto do seu filho, a bronca do seu pai, a demissão injusta, o acidente que lhe deixou cicatrizes, tudo isso vai, aos pouquinhos, formando quem você é. Não há nenhuma peça que não se encaixe. Todas são aproveitáveis. Como são muitas, você pode esquecer de algumas, e a isso chamamos de "passou". Não passou. Está lá dentro, meio perdida, mas quando você menos esperar, ela será necessária para você completar o jogo e se enxergar por inteiro."

Martha Medeiros




Rotina



Apesar de tanto tempo esperando por ti,
sentir tua falta não se tornou rotina.
E à cada dia travo uma guerra com meus desejos.
Sinto tanta, tanta, tanta saudade.
Queria poder te dizer que é muito o que sinto.
Mas o silêncio não é tão bom companheiro
e o choro baixinho, sufocado no travesseiro é comum.

domingo, setembro 18, 2011

Dormir



"Às vezes é preciso dormir, dormir muito. Não pra fugir, mas pra descansar a alma dos sentimentos. Quem nasceu com a sensibilidade exacerbada sabe quão difícil é engolir a vida. Porque tudo, absolutamente tudo devora a gente. Inteira."

Marla de queiroz



sexta-feira, setembro 16, 2011

Deixa entrar




“A gente finge que arruma o guarda-roupa, arruma o quarto, arruma a bagunça. Tira aquele tanto de coisa que não serve, porque ocupar espaço com coisas velhas não dá. As coisas novas querem entrar, tanta coisa bonita nas lojas por aí. Mas a gente nunca tira tudo. Sempre as esconde aqui, esconde ali, finge para si mesmo que ainda serve. A gente sabe. Que tá curta, pequeno, apertado. É que a gente queria tanto. Tanto. Acredito que arrumar a bagunça da vida é como arrumar a bagunça do quarto. Tirar tudo, rever roupas e sapatos, experimentar e ver o que ainda serve, jogar fora algumas coisas, outras separar para doação. Isso pode servir melhor para outra pessoa. Hora de deixar ir. Alguém precisa mais do que você. Se livrar. Deixar pra trás. Algumas coisas não servem mais. Você sabe. Chega. Porque guardar roupa velha dentro da gaveta é como ocupar o coração com alguém que não lhe serve. Perca de espaço, tempo, paciência e sentimento. Tem tanta gente interessante por aí querendo entrar. Deixa. Deixa entrar: na vida, no coração, na cabeça."

Caio F Abreu



terça-feira, setembro 13, 2011

Tempo ao tempo



"Afinal, há é que ter paciência,
dar tempo ao tempo,
já devíamos ter aprendido,
e de uma vez para sempre,
que o destino tem de fazer muitos rodeios
para chegar a qualquer parte."
José Saramago

segunda-feira, setembro 05, 2011

Só pro meu prazer


"Não fala nada, deixa tudo assim por mim. Eu não me importo se nós não somos bem assim..."
                                                                                                  Só Pro Meu Prazer - Leoni

Estávamos sentados em um bar. Um lugar longe de tudo e de qualquer pessoa que poderia nos reconhecer. Eu olhava pra ele e não conseguia dizer nada. Me perdia no olhar, as palavras ficavam confusas. 
Ele me cobrava uma decisão. Eu devia estar disposta a lutar por ele, mas tinha medo. As coisas não estavam fáceis. Existiam outras pessoas e o que iriam pensar de nós. 
Não chegaríamos então à um acordo. O silêncio.
E, de repente, começa a tocar a música. Eu disse que mesmo que não ficássemos juntos, aquela seria a nossa música. Nos abraçamos e, ali, longe de tudo e todos os problemas, nos beijamos.
A música tocou na hora certa. 
Não houve decisão, outros beijos ou encontro às escondidas...
Mas toda vez que escuto a música, tenho vontade de voltar no tempo e dizer que lutaria por ele, que o esperaria. Me dói no peito tudo o que não fomos.








sábado, agosto 27, 2011

Carta amassada



"Eu estou atrás da porta, o corpo revirado, amassado, pequeno, todo dobrado. Sou uma carta gigante, chata, cheia de erros, longa demais, muito complicada. “Chega”, alguém, com preguiça de ler sobre o amor ou sem coração para se emocionar com uma carta, disse. E eu virei bolinha de papel."

Tati Bernardi



terça-feira, agosto 23, 2011

Hora Errada




"Eu só quero celebrar as minhas flores de dentro da forma mais adequada. Eu não tenho mais tempo para ser aquela pessoa certa na tua hora errada."

Marla de Queiroz

Muito tarde


Saudade da boa companhia. Saudade da cumplicidade, das conversas, do cineminha e do aroma de café nas tardes sorridentes. Saudade do toque das tuas mãos, das tuas expressões e teu jeito de falar.

Saudade das horas que passávamos juntos. Fugia do trabalho, só pra passar mais tempo contigo.

Quando acontecia algo muito ruim comigo, saía correndo pra te ligar, não que adiantasse ou resolvesse meus problemas, mas tua voz me acalmava e tudo parecia mais simples. E quando estava alegre, não via a hora de compartilhar e ver em você, meu próprio sorriso.

Agora é muito tarde para falar das saudades e das vontades. Já não conversamos mais, não nos vemos mais.

Eu me pergunto por onde anda, com quem... Será que ainda pensa em mim?
Será que teu abraço ainda se encaixa no meu?



Ao som de 'Por onde andei - Nando Reis'

@Ladymsr


segunda-feira, agosto 22, 2011

Lâmpada queimada



'Se não brilha mais, não insista. Lâmpada queimada não se

 arruma, se troca por outra.'



Caio Fernando Abreu

quarta-feira, agosto 17, 2011

O barulho que a gente faz


"Eu passo quieta por você, você passa quieto por mim, e eu ainda escuto o barulho que a gente faz."
Tati Bernardi



E já não posso te tocar como quero, como fazia. Te beijo o rosto e ainda sinto aquelas coisas que antes sentia. Teu corpo, tão próximo, me traz lembranças dos momentos em que unido a mim, dançávamos com ou sem música, embriagados de vinho e desejo.
Agora tudo tem seus limites. Tem uma linha que nos separa, que não posso avançar. 
Todos observam e eu de mãos atadas, não posso mais te abraçar.



quinta-feira, agosto 04, 2011

Moro no caminho



"Porque eu também não entendo, às vezes, 
  esses caminhos que a vida tece. 
E nós que morávamos um no outro, ficamos sem casa.
 Perdoe a falta de abrigo, é que agora eu moro no caminho."

Marla de Queiroz

Marla de Queiroz

Anulando sonhos


'Eu anulo em mim a promessa feita. 
Eu desfaço o sonho de amor por toda a vida. 
Foi engano achar que você me amou, afinal de amor você não sabe nada. 
Foi um erro aceitar o seu gesto de amor.
 No final a dor me fez sua morada.'

quinta-feira, julho 28, 2011

Quase


"Chorar deixou de ser uma necessidade e virou apenas uma iminência. Sofrer deixou de ser algo maior do que eu e passou a ser um pontinho ali, no mesmo lugar, incomodando a cada segundo, me lembrando o tempo todo que aquele pontinho é um resto, um quase não pontinho. Você, que já foi tudo e mais um pouco, é agora um quase. Um quase que não me deixa ser inteira em nada, plena em nada, tranqüila em nada, feliz em nada. Todos os dias eu quase te ligo, eu quase consigo ser leve e te dizer: “Ei, não quer conhecer minha casa nova?” Eu quase consigo te tratar como nada. Mas aí quase desisto de tudo, quase ignoro tudo, quase consigo, sem nenhuma ansiedade, terminar o dia tendo a certeza de que é só mais um dia com um restinho de quase e que um restinho de quase, uma hora, se Deus quiser, vira nada. Mas não vira nada nunca. Eu quase consegui te amar exatamente como você era, quase. E é justamente por eu nunca ter sido inteira pra você que meu fim de amor também não consegue ser inteiro. Eu quase não te amo mais, eu quase não te odeio, eu quase não odeio aquela foto com aquelas garotas, eu quase não morro com a sua presença, eu quase não escrevo esse texto. O problema é que todo o resto de mim que sobra, tirando o que quase sou, não sei quem é." 

Tati Bernardi

domingo, julho 24, 2011

I wish you love



"(...) Desejo-lhe saúde
Mais do que riqueza
Desejo-lhe amor

Meu coração quebrado e eu concordamos
Que eu e você nunca poderíamos ter sido
Então com o meu melhor
O melhor de mim
Eu lhe deixo livre

Desejo-lhe abrigo da tempestade
Uma gostosa fogueira para mantê-lo quente
Mas, sobretudo
Quando a neve cair
Desejo-lhe amor."

Presença


Estranho dizer que sinto saudades. Saudades se referem a algo que passou e você está tão aqui, presente. 


sábado, julho 23, 2011

Amar por completo


"Ela é intensa e tem mania de sentir por completo, de amar por completo e de ser por completo. Dentro dela tem um coração bobo." 

Caio Fernando Abreu


A palavra saudade...



Vem do latim "solitas, solitatis" (solidão), na forma arcaica de "soedade, soidade e suidade" e sob influência de "saúde" e "saudar". Saudade é uma das palavras mais presentes na poesia de amor da língua portuguesa e também na música popular, "saudade", só conhecida em galego e português.
Significa recordação suave e melancólica de pessoa ausente, local ou coisa distante, que se deseja voltar a ver ou possuir. Nostalgia.

sexta-feira, julho 15, 2011

E dá para sentir isso o tempo todo?


"Sim, ele era encrenca, das boas. Eu sabia o que estava fazendo, ele também: estávamos fazendo uma coisa errada. Gosto da luz, dos olhos dele. Gosto de me encantar, gosto de não poder me encantar e mesmo assim estar me encantando. Apesar de todo esforço, meu poder era uma ilusão. Apesar do desprendimento, eu me enganava o tempo todo. Nada de alegria, alegria. Ele fecha a porta e volta para sua vida real. Para os dois, porque ele não era egoísta: tristeza, tristeza. Alegria, alegria. Eu me implorava. E dá para sentir isso o tempo todo? Eu me cobrava tanto ser feliz que às vezes perdia a noção de que já era. Fugir da felicidade ou fugir com ela? Num ímpeto de tesão, ou talvez após um trabalho de consciência confusa que, por orgulho, acabava se decidindo impulsivamente, respondi a vontade dele: - Sim, senhor. Vamos para onde o senhor quiser, a hora que desejar e na posição que preferir. Nem todas as histórias precisam ter virgens pálidas chorando às margens de um mar de espumas. Nem tudo precisa ser romance tuberculoso. Alegria, alegria. A felicidade, assim como a bebedeira, vai e vem. A felicidade, assim como o sexo, entra e sai. A felicidade, assim como ele, era impossível. Mas não é pra tentar ser feliz que a gente vive?"

Tati Bernardi


terça-feira, julho 12, 2011

Prosa



Apenas ouço o relógio, está ficando tarde e o sono chega. Meus pensamentos vão ficando vagos, distantes, quando penso em você. Passo a me perguntar como foi que cheguei até aqui?
 Eu, que era tão cheia de vida, fui perdendo a rima. As cores que eram nítidas, se embaçaram, como quando meus olhos se encheram de lágrimas na nossa despedida.
A vida foi ficando assim, sem graça. Foi aí que perdi a poesia. Foi aí que me acostumei a ficar sozinha. Não choro mais por não ter notícias tuas e não  importar também dói.


@Ladymsr

domingo, julho 03, 2011

Band-aid no coração



"Andei amando loucamente. De repente a coisa começou a desacontecer. Bebi, chorei, ouvi músicas demasiadamente tristes, tive insônia e excesso de sono, falta de apetite e apetite em excesso, vaguei pelas madrugadas, escrevi poemas (juro). Agora está passando: 'um band-aid no coração, um sorriso nos lábios – e tudo bem.' Ou: que se há de fazer??!"

Caio Fernando Abreu


sábado, junho 25, 2011

Uma princesa



"No primeiro colegial, com treze ou quatorze anos, eu gostava de um garoto chamado Márcio. Ele era branquinho e tinha os cabelos castanhos cacheados. Ele namorava a Priscila, uma menina bonita e riquinha e bailarina e de cabelos lisinhos e amiga de todas as outras meninas iguais a ela. Mas a Priscila e suas amigas não faziam sexo. E todo mundo era louco pra fazer sexo com elas. Eu era o que se podia chamar de beleza indefinida. Não era de todo mal, mas também não era a óbvia lindinha. Cabelo nem pro liso e nem pro cacheado e nem pra nada que pudesse ser um estilo ou moda ou até mesmo um cabelo. Roupas do mesmo jeito. Nem feias, nem bonitas. Corpo do mesmo jeito. Nem magra atlética, nem gordinha desleixada. Um meio do caminho que piorava muito quando era dia de uniforme. Não chegava a andar com as meninas feias mas nunca fui amiga da Priscila e das amigas dela. Eu era média.
Foi daí que eu tive a ideia. Eu tinha algo que aquelas meninas não tinham: eu fazia sexo. E calmamente caminhei até o Márcio, na hora do recreio, e falei: quatro horas na minha casa, eu vou fazer sexo com você, tudo bem? Ele respondeu sério, sem rir, sem parar pra pensar: me passa seu endereço que eu peço pra minha mãe me levar. Sai pisando firme, com os olhos apertados e com as unhas enfincadas nas palmas das minhas mãos. Minha vontade era sair correndo e só voltar pra escola na outra encarnação. O que tinha me dado?
Pois bem, às três da tarde, sem conseguir conter o coração e o intestino, tento expulsar minha empregada de casa. Mas o que você vai aprontar? Sua mãe sabe que vem um garoto estudar aqui? Maria, cadê aquela minha calcinha de renda branca? Convenço Maria a ir embora às quinze pras quatro. Prometo a ela que, se ela não contar nada pra minha mãe, a deixo ir embora todo dia mais cedo e também não conto nada. Quatro em ponto, vejo da janela do meu quarto um Escort vermelho parando em frente ao meu prédio. Márcio desce cheio de livros. Sua mãe o acompanha até a portaria. Ele entra. Meu coração vai parar na língua. Eu vou fazer sexo. Eu consigo fazer. Ele vai enfiar o pinto dentro de mim. Eu vou ficar bem quietinha até parar de doer. É isso. E amanhã, na hora do recreio, ele vai…. Ele vai o quê? Continuar namorando a Priscila, que é bailarina e tem o cabelo lisinho e é amiga das meninas mais bonitas da escola. E eu? Eu vou ter gêmeos, que ele não vai assumir, e eu terei que ir à escola e fazer as provas apesar da barriga. E serei motivo de fofoca pra sempre. E ele não vai falar comigo porque não sou exatamente linda e nem exatamente muito normal e ele nem é da minha turma. Seu pai vai ligar pro meu "precisa de alguma coisa?". Meu pai não vai querer falar com ele, porque quem resolve as coisas mais difíceis é a minha mãe. E minha mãe não vai querer falar com ele, porque vai estar internada pelo susto. A campainha toca. Do olho mágico, vejo ele puxando de dentro de um livro e guardando no bolso uma fileira animada de camisinhas. Me sinto ofendida: esse menino tá achando mesmo que vou transar com ele?
Eu era virgem aos quatorze e assim fiquei até os vinte e um anos de idade. Mas o Márcio, o garoto mais popular e bonito e charmoso e gente boa da escola, estava na minha casa. Abro a porta. Vejo que ele trouxe os livros de química, física e gramática. Tentando parecer descolada mas tremendo muito, pergunto qual matéria ele quer estudar primeiro. Qual? Ele ri, ensaiado: anatomia. E me empurra pro sofá. E vai direto pros meus peitos, sem nem me beijar na boca. Ah, então acho que é assim, né? Que se trata uma puta ou alguém de quem não se gosta. Aquilo tudo me faz mal demais. Se eu fosse uma princesa, teria um namorado pra ir ao shopping. Mas como sou a garota estranha, ele tenta ver meus peitos. E como eu sempre tive curiosidade em saber como era estar com um garoto realmente lindo e desejado, eu deixo. Mas se eu fosse uma princesa, ele estaria agora nervoso pra pegar na minha mão. Triste, triste, vou ficando tão triste. Por que não sou uma princesa?
De repente. Puft. Scatapuft. Trililililim. Não sou mais a garota de treze ou quatorze anos, estranha, com o peito direito pra fora e um garoto inexperiente e afobado em cima deles. Estou ao lado da cena, escrevendo esse texto. Márcio é um ótimo personagem para uma historinha. A garota de calcinha de renda branca que mandou a empregada embora é uma ótima personagem também. Não sinto que ele tenta abrir a minha calça, mas leio "ele tenta abrir a calça dela". Não sinto que ele começa a querer enfiar sua mão dentro da minha calça, mas leio "e ele começa a enfiar a mão dentro da calça dela". E fico feliz quando, no parágrafo seguinte, descubro que a garota levanta e grita "chega, desculpa, mas eu não consigo, vai embora, por favor, eu não sei o que me deu de deixar você vir aqui".
Márcio, frustrado e muito tímido, veste sua roupa, devagar, como que tentando ainda pensar em algo que salvasse sua tarde de sexo selvagem. Muito provavelmente a primeira. Ela fica deitada, com a camiseta e a alma amassadas. Márcio vai embora. Ela sente uma dor profunda e se promete duas coisas: um dia vou ser uma escritora e um dia vou ser uma princesa."


Tati Bernardi

Enlouquecer



Quanto mais eu vivo, mais encontro sentido em enlouquecer.


domingo, junho 19, 2011

Já não se encantarão os meus olhos nos teus olhos...



Já não se encantarão os meus olhos nos teus olhos,
já não se adoçará junto a ti a minha dor.

Mas para onde vá levarei o teu olhar
e para onde caminhes levarás a minha dor.

Fui teu, foste minha. O que mais? Juntos fizemos
uma curva na rota por onde o amor passou.

Fui teu, foste minha. Tu serás daquele que te ame,
daquele que corte na tua chácara o que semeei eu.

Vou-me embora. Estou triste: mas sempre estou triste.
Venho dos teus braços. Não sei para onde vou.

...Do teu coração me diz adeus uma criança.
E eu lhe digo adeus.

Pablo Neruda

Parada



"Estou na estação há tanto tempo. E sempre tem gente chegando e indo. E sempre tem amor e bala e dinheiro e cama e água e fins de tarde bonitos e brinquedos e catracas com a segurança de uma novidade de sempre. Em alguns momentos fica o equilíbrio terrível de nunca ir. Fica a dor terrível de todo mundo que foi. Fica a ansiedade terrível de todo mundo que tem pra chegar. Agora. Agora. A cada volta de uma piscada eu tenho minha esperança renovada (...) Sei que não escolho nada, não sigo com ninguém, não conheço outras idades e lugares e gastrites e ventos. Eu sou uma estação, é isso. Assim não dói além porque eu sei, desde o começo, que sou passagem (...) Até que hoje, não sei se porque enjoei dessa casa da infância, não sei se porque às vezes o amor é mesmo mais forte que mil anos de segurança. Eu pisei tremendo na escada e o homem da catraca era tão diferente de todo mundo. E eu pedi socorro. Eu não sei sair daqui mas quero ir com você. Eu tenho cinco anos de idade mas quero ir com você. Tudo me dói tanto e eu tenho tanto medo."

Tati Bernardi

sexta-feira, junho 10, 2011

Como se...


E, quando sozinha, pensei nele. Senti o cheiro do seu perfume, como se estivesse ao meu lado, como se ele também pensasse em mim. Como se nós ficarmos juntos fosse possível.

quinta-feira, junho 09, 2011

Carta-desabafo-padrão




"A verdade é que me enchi. De você, de nós, da nossa situação sem pé nem cabeça. Não tem sentido continuarmos dessa maneira. Eu, nessa constante agonia o tempo todo imaginando como você vai estar. E você, numas horas doce, noutras me tratando como lixo. Não sou lixo. Tampouco quero a doçura dos culpados, artificial como aspartame.
Fico pensando como chegamos a esse ponto. Não quero mais descobrir coisas sobre você, por piores ou melhores que possam ser.
Assim, chega. Chega de brigas, de berros, de chutes nos móveis. Chega de climas, de choros, de silêncios abismais. Para quê, me diz? O que, afinal, eu ganho com isso? A companhia de uma pessoa amarga, que já nem quer mais estar ali, ao meu lado, mas em outro lugar?
Sinceramente, abro mão. Vou atrás de um outro jeito de viver a minha vida, já que em qualquer situação diferente estarei lucrando.
Bom é isso, se agora isso ainda me causa alguma tristeza, tudo bem. Não se expurga um câncer sem matar células inocentes...


Adeus, graças a Deus.Nome do remetente.P.S.: esta não é mais uma dessas cartas-desabafo.
P.S. do P.S.: esta é uma carta-desabafo-quase-música-de-Adriana-Calcanho"


Fernanda Young
(retirado do blog: http://shiverfool.blogspot.com)

sexta-feira, junho 03, 2011

Pela metade


" Mas, talvez, eu precise dos seus braços fortes. Das suas mãos quentes. Do seu colo pra eu me deitar. Do seu conselho quando meu lado menina não souber o que fazer do meu futuro. Eu não vou te pedir nada. Não vou te cobrar aquilo que você não pode me dar. Mas uma coisa, eu exijo. Quando estiver comigo, seja todo você. Corpo e alma. Às vezes, mais alma. Às vezes, mais corpo. Mas, por favor, não me apareça pela metade. "

Caio F. Abreu

Precipício


Quase caí, de novo, no precipício do teu amor. Foi por pouco. Me salvei do afogamento da solidão por milésimos de segundo. 
Quando estava pronta para me atirar, pensei. Pensei em tudo o que me causou. Lembrei de que quando estava lá no fundo com as mãos estendidas, implorando por ajuda.
Me lembrei da árdua escalada ao alto, sozinha. Mãos feridas, coração ferido. Lágrimas rolavam misturadas ao suor. Sentia também culpa, por ter me atirado, tão tola...acreditava no teu amor.
E me reergui. Não estou pronta para me jogar novamente. Não quero ser, de novo uma brinquedinho na tua mão.


domingo, maio 29, 2011

Lição




Foi com ele que aprendi o que é felicidade ao ver o sorriso de quem se ama. Foi ele quem me ensinou o que é chorar com uma despedida.


SMS

'...mas nenhuma dessas coisas se comparava ao prazer que eu tinha ao ouvir o barulhinho de uma mensagem dele chegando.'

Caio Fernando Abreu





Tanto tempo passou, meus pés já não procuravam o teu rumo, minha pele não se lembrava de como era teu toque.
Mas tudo muda. Uma notificação do celular com uma mensagem dizendo 'saudades' e me lembrei de como aquele barulhinho me fazia bem, percebi a falta que faz. E senti tudo de novo. Aqueles sentimentos que venho guardando por debaixo do tapete há meses, se mostraram.
Quis voltar no tempo em que não conseguíamos ficar distantes um do outro. Eram tantas loucuras e madrugadas sem dormir. Era tamanha a vontade de ser, que éramos bem mais.
Passávamos o dia desenhando sonhos e à noite sonhávamos colorindo amores na cama.
E hoje... um turbilhão de sentimentos e apertos no coração se resumem em uma só palavra: Saudade.


sexta-feira, maio 13, 2011

Saudades, e porque não?





Saudades! Sim... Talvez.... e porque não?
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!

Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como o pão!

Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!

E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!


Florbela Espanca

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